Magui Guimaraes

Quem quer ser um milionário?

Ao vivenciar momentos desagradáveis, é comum sentir como um castigo, uma tristeza de que o Pai lá de cima está sendo por demais severo.
Surgem, em seguida, pensamentos de auto defesa, de injustiça pois não se é merecedor de tanta adversidade, e que a culpa de tudo que acontece de ruim, em nossas vidas, é dos outros.
As reclamações se proliferam e criam distorções para acreditar que a vida boa é a do vizinho, de que os culpados são os outros, que o desagradável é coisa ruim, e assim desfocam do benefício oculto contido no suposto cenário desagradável, e perdem a preciosa oportunidade de aprender com tudo e com todos.
A frase “O inferno são os outros” segundo o filósofo francês Jean Paul Sartre, é impactante ao parecer que temos ódio aos outros, mas na verdade, revela que o outro mostra algo que somos, e que não gostamos e não queremos enxergar, e não temos a coragem de assumir e se livrar, e passamos a viver um drama infernal profundo de consciência, acusando o outro, ou a vida, ou o criador, de algo que escolhemos viver.
Os momentos desagradáveis são sinalizações de uma necessidade de direcionar ações, mas uma névoa de insanidade impede de compreender uma regra ensinada pela natureza de que “o plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória”. Não há como plantar abacaxi e colher amoras. Quem quer receber benesses e bons frutos, é condição sine qua non, escolher o que plantar.
Paradoxal é o fato de que as mensagens que recebemos são tão óbvias e no entanto, tão difíceis de serem entendidas. A explicação pode estar no hábito de lamber as correntes daquilo que nos aprisiona por não conseguirmos, ou melhor por não querermos extrair dos momentos desagradáveis, a essência de que tudo tem um efeito bumerangue, o que se lança retorna com força e velocidade.
Erick Fromm, autor do livro “Medo à liberdade”, descreve a dificuldade humana em se livrar das crenças que nos aprisionam, mas com as quais nos acostumamos e vivemos mal, acreditando que são verdades. Na realidade temos medo de perguntar: Qual a nossa responsabilidade com aquilo que nos acontece?
O desagradável não é algo ruim que devemos nos livrar com remédio, comida ou passeios ao Shopping. No filme indiano, ganhador do Oscar de melhor filme, realizado na cidade de Mumbai, na Índia, conta a história de um menino na favela de Juhu que viveu situações de extrema violência e carência, e que todas as experiências desagradáveis, trouxeram um aprendizado e serviram para responder às perguntas e ganhar o prêmio do programa de TV “Quem quer ser um milionário”.
Nas pesquisas realizadas sobre a Programação Neurolinguística, os cientistas descobriram que as mentes exitosas, quando passam por situações desagradáveis, ao invés de perguntar “PORQUE isso aconteceu comigo? perguntam: “PARA QUE isso acontece comigo?” e descobrem a utilidade do desagradável, transformando os fracassos e infortúnios em doce mel do aprendizado.
Magui Guimarães

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