Em 1927, Elton Mayo, cientista social australiano, chefiou um grupo de pesquisas, da fábrica da Westerm Eletric em Hawthorne, Chicago, cujo interesse inicial era estudar quais as condições físicas externas, no trabalho seriam mais propícias para o aumento da produtividade. Nessa fábrica havia um grande departamento onde mulheres montavam relés de telefone. Era uma tarefa repetitiva (um relé montado por minuto), cujo resultado dependia da rapidez. Cinco moças foram escolhidas e colocadas em uma sala de vidro, expostas no meio da fábrica, e vários fatores externos foram analisados como por exemplo, diminuição ou aumento da luz, do som, da temperatura, espaço etc. Em todos os fatores externos e suas graduações para maior ou menor intensidade, a produção aumentava, até que foram tirados os intervalos de descanso, e mesmo assim o desempenho na fabricação de relés continuou aumentando, o grupo era coeso, zero absenteísmo e solicitação de afastamento por doença. Doze semanas depois, os cientistas desistiram e resolveram parar com a experiência e confusos, perguntaram as mulheres o que acontecia que fazia com que elas aumentassem o desempenho, independente dos fatores externos? A resposta surpreendente foi: – Nós nos sentimos importantes!
Esta experiência, de transcendência dos limites, estimulada pelo senso de importância na função, deu origem ao movimento das Relações Humanas e da Sociologia Industrial, trouxe inegavelmente, muitos melhoramentos nas condições de trabalho, no treinamento dos supervisores, no desenvolvimento de estudos sobre dinâmica de grupos, comunicação e preparou terreno para o movimento do Behaviorismo, que permanece forte até os dias atuais porque o fator determinante é “como” as pessoas se sentem. Faz-se investimento na tecnologia e pouco atenção ao tratamento do capital humano.
A qualidade da tarefa executada depende diretamente da qualidade do valor que é dado ao executor da tarefa. Se somente o fato de se sentir em evidência, fez com que a produtividade aumentasse, imagine a consequência econômica e financeira para a empresa, cujas pessoas sentem-se importantes pelo serviço prestado ou pelo produto fabricado.
O salário é um fator motivacional por um tempo, mas o reconhecimento da importância do trabalho é duradouro. De certo, lembramos muito pouco do que nos foi ensinado nos bancos escolares, mas sempre teremos na memória o professor que nos tratou com carinho. O afeto além da sensação de valia, aumenta a imunidade do corpo.
Uma experiência feita pelo médico nazista, Josef Mengele, que se refugiou na Amazônia, após a segunda guerra mundial, fez uma experiencia cruel com crianças indígenas, separando dois grupos de crianças, sendo um grupo bem alimentado, mas tratados com frieza e distanciamento, e no segundo grupo, as crianças eram esquálidas porque comiam somente pão e água, mas recebiam afeto, atenção, e palavras carinhosas. Depois de alguns meses, estas crianças foram expostas, e ao terem contato com as matas, insetos, bactérias e vírus, somente as que se sentiam amadas, sobreviveram.
No filme “Fale com ela” dirigido pelo espanhol Pedro Almadóvar, conta a história de duas pacientes que recebiam tratamentos diferentes em um hospital, e a que se recuperou com rapidez e ficou curada, foi aquela cujo enfermeiro conversava mesmo sem saber se estava sendo escutado.
Caso as condições externas sejam desfavoráveis, e que ninguém nos valorize e nos olhe com carinho e que não tenhamos com quem conversar, é possível estabelecer um carinho consigo próprio e sentir que todos nós somos importantes, somente pelo fato de respirar.
Magui Guimarães