Relações antigas e duradouras alimentam a alma de elementos etéricos, tais como os valores que embora invisíveis, são de grande valia para manter o que há de precioso na humanidade. Laços se eternizam todas as vezes que nos encontramos com alguém que desperta no âmago do nosso ser, as raízes do potencial benéfico que estamos juntos desenvolvendo nessa nave espacial chamada Terra.
Vários encontros gratificantes foram possíveis no CONGRESSO INTERNACIONAL DE SAÚDE MENTAL, realizado pela pesquisadora e educadora, psiquiatra e professora da UFCE, Dra. Francinete Giffoni, dona de um admirável trabalho de pesquisa, gerando frutos de grande sabedoria intuitiva e científica para entender o comportamento humano.
Na palestra, foi mostrada a evolução do cérebro desde os primatas que, inicialmente funcionavam com cérebro reptiliano, diante de uma ameaça, disparava estímulos de “fugir com medo” ou “atacar em busca do prazer”. Este cérebro reativo, dos répteis responde aos estímulos de forma instintiva, limitado na busca pela sobrevivência e reprodução, agredindo e dominando territórios. Nos tempos atuais alguns líderes mundiais, são os répteis da atualidade que usam este cérebro impulsivo, com tendências violentas, querendo proteção, defendem-se e mostram poder, brincando de fazer guerras, exibem suas armas, matam pessoas e disputam territórios.
O segundo estágio evolutivo do cérebro aconteceu com o aparecimento do Sistema Límbico dos mamíferos que criam vínculos emocionais com suas crias e familiares, guardam memórias repletas de sensações/emoções agradáveis ou desagradáveis e, afetam o equilíbrio nas relações.
A terceira atualização do cérebro é o Neocórtex, uma versão atualizada do biocomputador, que desenvolveu a linguagem, pensamento abstrato, imaginação e a consciência. Trata-se da mais recente tecnologia humana com capacidade analítica, racional, proativa, realizando funções cognitivas de alto nível, fazendo comparações e buscando novos dados ao processar as informações recebidas pelos cinco sentidos. Pensa antes de agir e, escolhe com base em dados de realidade.
O evento sobre Saúde Mental, despertou outras compreensões sobre o processo evolutivo humano que de tempos em tempos, faz atualizações. A versão atual, trouxe a inclusão da Supraconsciência, sem contudo, substituir as versões antigas dos repteis, mamíferos e humanos, permitindo que suas características instintivas, emocionais e racionais funcionem de forma intrínseca e concomitantemente, qual uma máquina programada.
Esta nova consciência, traz em si a mensagem da Libertação pois é capaz de reconhecer qual característica está na dominância e, se autodominar, escolhendo agir da melhor maneira, dando respostas inteligentes em cada situação, possibilitando consertar o avião em pleno voo.
Entramos na era da não fixação em teorias passadas e futuras, e se dar o luxo de viver no presente, todas as possibilidades oferecidas pelo universo definidas nas doze constelações astrológicas, por exemplo, o fato de ter nascido com as caraterísticas do Leão, pode ser apenas uma experiência inspiradora para iniciar outra vivência de sentir a energia de Capricórnio, ou do Escorpião e assim treinar todas as formas de se comportar em sociedade.
No Eneagrama, estrutura arquetípica, desenvolvida 2.500 a.C. utilizada por Pitágoras, e trazida para o ocidente Gurdjieff, é possível vivenciar as nove possibilidades de aprender a reagir, através dos nove tipos de personalidades (pacificador, perfeccionista, prestativo, motivador, romântico, fleumático, melancólico, colérico, sanguíneo) que atuam na psique humana e que constitui a riqueza interior, que nos permiti ter a sabedoria de escolher viver o perfil psicológico que se adapta melhor a cada cenário.
Viver de forma rígida, preso a um conceito, apodrece e adoece sem que se tenha consciência até da própria morte. Tem muito zumbi andando por aí. Os vivos com Saúde Mental, possuem percepção abrangente, ampliando possibilidades a partir de se permitir compreender as infinitas visões de mundo e estar aberto para a complementariedade.
A Supraconsciência tem a capacidade de mapear em que nível estamos através da observação das nossas reações, diante dos fatos, que pode ser usar a arma que se tem na mão, ou respirar e conversar sobre a questão. Quando percebemos que estamos nos comportando de forma descontextualizada, é hora de circular, fluir em outras energias, utilizando o autoconhecimento para escolher as melhores opções guardadas no baú do tesouro das possibilidades de reações, onde não cabem as teorias estáticas. Estar vivo é utilizar a dinâmica da dialética que requer, entregar-se a cada momento único com intensidade. A vida não permite ensaios.
Usando o Método Socrático, é possível perguntar: – Como é melhor viver o aqui e agora? Porque, por pior que seja o cenário, se estamos vivos, sempre existe um jeito, uma alternativa de solução para quem sabe perguntar. A mente sadia acredita que todos temos, todos os recursos para resolver quaisquer desafios. Que problema é o nome que damos aos desafios a serem ultrapassados e que vão gerar aprendizados. A mente sadia acredita na força da vida de ultrapassar as adversidades e fazer a flor nascer apesar da dureza do asfalto.
O autoconhecimento coloca na vitrine da mente, infinitas sementes de potencialidades a serem desenvolvidas, exatamente quando estamos nas piores situações, podemos resgatar as melhores qualidades.
Humberto Maturana, biólogo chileno, matemático e criador da teoria da autopoiese e da biologia do conhecer, afirma que a mente se constrói na relação. O contexto estimula, mas não é determinante para definir o comportamento humano pois alguns superam os contextos, porque a vida que está fora e dentro do humano, não “É” estática e cartesiana e nem precisa de teorias, receitas de vida, conselhos e projeções. A vida estimulante, interessante, que vale a pena ser vivida, proporciona surpresas fascinantes, aventuras novas imprevisíveis que requer um SENDO acontecendo, em cada momento.
Magui Guimarães