Magui Guimaraes

Níveis de Consciência do Cubo à Esfera…

Níveis de Consciência do Cubo à Esfera…

É fácil adjetivar e encontrar falhas nos outros, mas temos uma atuação pífia para compreender as próprias idiossincrasias, ou seja: a índole, o caráter, os valores, o temperamento, os reais motivos, símbolos e ideias. Segundo a Bíblia é mais fácil encontrar um cisco no olho do outro do que a trave no seu próprio.

São muitos textos que nos convidam a uma compreensão mais profunda a respeito de nossa concepção.  O Homem Vitruviano é um dos desenhos mais emblemáticos de Leonardo da Vinci, criado por volta de 1490. A obra é um estudo das proporções do corpo humano, combinando arte e ciência, na qual o humano está entre uma proporcionalidade do corpo usando como referência  as figuras geométricas do quadrado e do círculo.

Mas é na genialidade de Albert Bandura, o psicólogo social canadense que desvendamos o caminho da psiquê, através da metáfora do Cubo à Esfera.

Na história de Bandura, transitamos pelos diversos estágios de consciência, até chegar na figura da Esfera que representa o símbolo dos grandes astros da natureza como o sol e os planetas.

Um quadrado adormeceu e teve um sonho. O quadrado sonhou que tinha caído da sua Terra Plana, de duas dimensões, para a Terra da Linha,  de somente uma dimensão, na qual o quadrado deveria tornar-se uma linha.

      Nessa terra não existiam quadrados, círculos, hexágonos, somente linhas. O quadrado tinha perdido seus lados e estava sentindo-se muito desamparado. O que tornou as coisas mais difíceis nesse sonho foi a inabilidade de explicar ao Rei das Linhas que ele não era uma linha, mas um quadrado.

      No final, todos os habitantes da Terra das Linhas viraram-se contra ele, mas ele conseguiu acordar antes que eles o pegassem.       De volta a Terra Plana onde o quadrado sentia-se confortável, tendo seus lados retornados para de novo, estar ensinado matemática ao seu neto hexágono. O pequeno Hexágono estava aprendendo conceitos de álgebra sobre duas dimensões (altura, largura), quando perguntou se havia algo mais do que duas dimensões.

     O avô Quadrado debochou do pensamento de seu neto de que poderia haver uma dimensão além da conhecida e considerou o neto como um tolo.   Mas enquanto ele dizia essas palavras, uma Esfera apareceu e anunciou sua presença.   A Esfera aparecia como uma forma instável que ia e vinha porque na Terra Plana, o quadrado precisaria primeiro se transformar em um cubo e depois em uma esfera para conseguir enxergar outras dimensões.

     A história continua com a Esfera levando o Quadrado em uma jornada na terceira dimensão – uma expansão do ser de Quadrado para Cubo.      A história termina com o Quadrado tornando-se tão entusiasmado com a nova consciência, começa a perguntar se existe alguma coisa, além disso.  Ele indaga à Esfera sobre os mistérios das dimensões além da terra das Esferas, ao que ela responde: Não existe tal terra. A simples ideia em si é inconcebível, e o joga de volta à terra plana, onde o Quadrado passa o resto de seus dias tentando convencer as pessoas sobre essa terceira dimensão. Infelizmente ninguém acreditou nele em Terra Plana.” Albert Bandura.

Esta metáfora induz  que o convencimento de uma pessoa passa, única e exclusivamente, pela experiência. Cada um precisa vivenciar determinadas situações que abrem as portas para percepções mais profundas nos diversos estágios de consciência.

No primeiro estágio a consciência só consegue ir até antes de ter passado  por alguma experiência. Não tem nem condições de se colocar no lugar do outro ou de imaginar qualquer outra experiência.

No segundo estágio, já há um nível mais avançado, pois ele pode pelo menos imaginar como se fosse outro, ou como se passasse pela experiência.

No terceiro estágio, a pessoa já tem a consciência por ter passado diretamente pela experiência.

E no quarto estágio a pessoa passa através da experiência e consegue ter uma visão além do objeto, além do alcance.

Diz Bandura “Parece que a maior parte dos talentos só se desenvolve quando há oportunidade. Assim, é preciso ter disposição de acreditar na capacidade de desenvolver certas habilidades através dos percalços, caso contrário, esse potencial oculto de transcendência, pode nunca se revelar”.

Somente tendo a coragem de sair da zona de conforto, abandonando a racionalidade de falar sobre o problema, saindo da simples análise para vivenciá-lo como oportunidade de alcançar níveis de consciência refinados, de Cubo à Esfera, é que acontece a alquimia de transformar “dificuldades”, e “obstáculos” em trampolins para maiores virtudes.

Magui Guimarães

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