Magui Guimaraes

Modernos Tempos Antigos

Na linguagem cearense o termo “infeliz” é usado para definir uma pessoa com a qual não queremos conviver, por razões óbvias.  O “infeliz” tem um padrão mental doentio e, na família ou na empresa, é um ponto de desarmonia e desagregação.   Mesmo que não exista pesquisa alguma, é fácil deduzir que pessoas infelizes impactam negativamente no ambiente familiar, no clima organizacional e consequentemente apresentam baixa produtividade em decorrência de sua natureza tóxica.

No filme Tempos Modernos de 1936, a genialidade de Charles Chaplin mostra cenas tragicômicas, quando o corpo do operário da fábrica, torna-se uma peça da máquina.  Risadas à parte, a obra que se tornou um clássico do cinema, tem a intenção de alertar que a consequência da mecanização humana é o adoecimento e condicionamento do operário que provoca o caos na empresa.   Quando a máquina subjuga o humano, o desastre é inevitável.

Os estudos de Abraham Maslow, em 1943 em seu artigo “A teoria de motivação humana”, publicado na revista científica Psychological Review, define cinco categorias de necessidades humanas: fisiológicas, segurança, afeto, autoestima e as de autorrealização.  Na Pirâmide de Maslow, o processo de necessidades humanas, vai além dos instintos, embora inicialmente as necessidades básicas sejam as de sobrevivência como: abrigo, alimentação, água, sexo, sono, segurança. Todavia o ser predestinado a evoluir, avança,  buscando sentir-se pertencente a um grupo na troca de amizade, aceitação, reconhecimento, respeito, autoconfiança, até chegar ao topo, conquistando a autorrealização, através do autoconhecimento e autodesenvolvimento, aperfeiçoando as capacidades cognitivas (conhecer e entender), e as estéticas (beleza e harmonia), unindo coração e mente.

As pesquisas da Gallup, renomada empresa americana desde 1930, presente em 140 países, mundialmente conhecida em analisar o impacto da Gestão de Pessoas no sucesso empresarial, constata que empresas lucrativas, dependem da aquisição de tecnologia aliada à humanização.        Os números mostram que 83% das empresas que praticam uma boa Gestão do Capital Humano, fazendo do trabalho uma fonte de satisfação e realização, conquistando fatias de clientes fiéis e mantendo a hegemonia no mercado.  As empresas exitosas apresentam altos índices de satisfação dos colaboradores, clientes, fornecedores e consequentemente são competitivas e duradoras.

No Butão, país asiático, em 1940, o rei Jigme Singye Wangchuck, propôs uma política de substituir o Produto Interno Bruto (PIB), pelo índice FIB – Felicidade Interna Bruta, focando no desenvolvimento social, bem-estar da população e conservação ambiental, gerando longevidade, e convivência harmoniosa do povo com o seu governo.

Desde 1945, a Organização das Nações Unidas-ONU, juntamente com a  UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura,  elaboraram  os pilares da educação integral, essenciais para o desenvolvimento pleno: aprender a conhecer (adquirir instrumentos do saber), aprender a fazer  (aplicar conhecimentos na prática), Aprender a Conviver (viver em sociedade com empatia) e Aprender a Ser (desenvolvimento valores). Ser educado vai além de bons modos e, tem como fim, a lapidação do caráter, o que gera harmonia com as leis da natureza.

Em um tempo bem mais antigo, antes de Cristo, a tradição Hindu vai além dos quatro elementos da matéria mutável (terra, fogo, água e ar),  avança com a consciência da tríade composta de Mente Pura (sem julgamento), Intuição (além da razão) e Vontade Divina (expressão do amor). A tríade constitui o Ser Completo que não é afetado, nem pelas vulnerabilidades, volatilidades, incertezas, complexidades e aprende a superar desafios e tirar ensinamentos.  Mesmo na adversidade, permanece gente.

Em tempos ainda mais antigos, na época da Criação dos Mundos, no início de tudo, o funcionamento do organismo, foi definido pelo Criador, aumentando a imunidade daqueles que servem à coletividade, têm uma missão de vida, praticam a fraternidade, são imune às doenças, pois a vida preserva o ético, e a prática do bem é imunizante, conforme descobertas da psiconeuroimunologia, cadeira ensinada na faculdade de medicina,  que comprova que uma psique organizada propicia inteligência emocional e fortalece o sistema imunológico.

Nos países onde o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH é alto, constata-se que tudo começa com a cultura dos valores humanos universais, e as consequências externas são: alta renda e bem-estar, e baixos índices de violência, corrupção, desigualdade social e pobreza.

Nos tempos “modernos”, o  mundo está doente, as pessoas estão depressivas  e,  os tempos antigos trazem todas as evidências de que a função mais importante das empresas com foco em  excelentes resultados é a GESTÃO DE PESSOAS, buscando atrair, capacitar, motivar e reter pessoas felizes, cuidando das necessidades básicas,  evoluindo para a cultura do bem-estar íntimo,  riqueza interior, da felicidade autêntica, através do autoconhecimento,  prática das virtudes, solidariedade,  valores éticos, das artes, de criar um sistema de crenças capaz de  transcender os limites, com base na fé de que cada um tem a capacidade de, tal como as abelhas,  transformar em mel, o fruto do trabalho.

 

Magui Guimarães

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